ENTREVISTA com Wallace do grupo Fluxo

Entrevista com Wallace do grupo Fluxo que também é formado por Arthur Moura(RJ).

JJOta: Quando e como surgiu a ideia de criar o grupo Fluxo e qual o motivo do nome?

Wallace: Fluxo nasceu no final de 2005, eu e o Arthur já fazíamos som junto a algum tempo e rolou a oportunidade de montar um home studio, chamado 202, e isso foi o inicio da liberdade pra criar os sons. Decidimos em janeiro de 2006 fazer algo que tivesse uma qualidade melhor e denominamos FLUXO pra criar uma ideia de grupo mesmo, um MC e um produtor.
O nome foi espontâneo numa dessas tardes pensando o que seria original pra ter como nome e tal, e acaba que ele, o nome, carrega um conceito de movimento, evolução que me agrada muito, além de intuitivamente eu ter temáticas urbanas completa bem todo essa ideia do nome.

JJOta: Quais são suas referências musicais?

Wallace: Eu tive referencias de musica brasileira com meu pai quando era muleke e um pouco de musica negra americana também, depois descobri o rock na década de 90. Tinha convivência de escola e banda ate 2002, mais sempre tive rap como referencia em todas essas épocas,
hoje ouço isso tudo junto, rap, rock, musica brasileira, Soul e Funk das antigas, acho a diversidade musical bacana, o rap tem essa facilidade de interação com outros gêneros.

JJOta: Percebo em suas músicas que a cidade é uma fonte inspiradora para as letras. Como é o processo de captação da atmosfera urbana, transformando-as em rap?

Wallace: Eu nasci no centro do Rio, praça XV, morei até os sete anos perto da praça Mauá, e depois fui pra Niterói.Acho que o centro do cidade nunca saiu da minha cabeça por isso, lembranças desse clima do centro do rio são frequentes mesmo depois de sair pra Niterói e depois ir pra São Gonçalo. Além disso, acho que o centro da cidade e o ponto convergente de todas as culturas e classes isso me inspira muito, o cara que mora longe e sai de casa pra trabalhar no centro da cidade, a correria sempre foi um sinônimo de disputa diária que cada um tem dentro dessa atmosfera urbana, é sempre referência pra mim.

JJOta: Você se considera “underground”?

Wallace: UNDER e faça você mesmo pra mim, e também o fato de ter uma classe q faz musica sem visibilidade em grande escala de mídia difusora. Nada a ver com qualidade sonora ou musical, hoje o mercado é independente e o acesso a programas e equipamentos faz a liberdade de criação aumentar, esse termo ganha força de uns anos pra cá em função disso.

“…a correria sempre foi um sinônimo de disputa diária que cada um tem dentro dessa atmosfera urbana…”

JJOta: O que você espera das pessoas quando elas ouvem uma de suas músicas?

Wallace: Faço musica primeiramente por estimulo próprio, por gosto pessoal, mas existe uma linha de comunicação também, e é aí que o rap entra como gênero principal pra mim. Não vejo nada mais apropriado pra se dizer o q acontece no mundo hoje através do rap, gênero contestador por essência, isso me agrada muito. A comunicação e informação hoje e primordial já visto o ruma das coisas, eu sempre curti bandas e grupos que tivessem algo além de só harmonias bonitas e letras poéticas, gosto de coisas que apontam atritos socias e diferenças, tento passar imagens do cotidiano e ênfase a sentimentos que são vividos por mim mais corriqueiros em cada cidadão comum.

JJOta: A musicalidade em junção das letras faz das músicas do Fluxo uma inovação no desgastado cenário do rap nacional, como você e o Arthur constroem essa somatória?

Wallace: Sempre ouvi bastante coisa isso virou o caldo pra fazer os sons, o Arthur tem influencias diversa também, toca violão e instrumentos harmônicos, essa linguagem mais musical tem um alcance maior às vezes, eu faço o que tenho vontade sempre, não me prendo, gosto de melodias e todo o saldo final de influências mesmo.

JJOta: Considero o cenário do rap de Niterói e São Gonçalo muito mais inovador e criativo que do Rio como DeLeve, Black Alien, Marechal, DJ Castro e o próprio Fluxo. Ao que se deve isso?

Wallace: Niterói deve ter uma água milagrosa (risos), “zuando”, mas não sei explicar  muito essa parada, sei que alguns anos atrás, tinha mais eventos de reggae, rock, e mais lugares pra se ter contatos musicais, a cidade é musical mais já foi muito mais. Pode ser isso o que explica o “fenômeno”. Mas acho que o rio todo tem essa parada de querer misturar coisas ao rap, vejo isso em grupos na Zona Oeste, Zona Norte e Zona Sul.

“…hoje ouço isso tudo junto, Rap, Rock, música brasileira, Soul e Funk das antigas…”

JJOta: Rap ou Hip-Hop? MC ou Vocalista? Por quê?

Wallace: SIM, faço rap e curto a cultura hip hop por essência, nunca nego isso, MC também é vocalista se “neguim” quiser (risos), mas acho que isso são termos pra explicar uma coisa só, comunicação!

JJOta: Considero o disco “O Som do Tempo”, por ser experimental, um dos melhores discos já produzidos, você não acha que falta mais experimentação no cenário do rap?

Wallace: Não posso afirma que faltam experimentações no cenário do rap… Não real existe rap no Brasil todo hoje em dia, no Maranhão, em Pernambuco, João Pessoa, Curitiba, Porto Alegre e vários lugares com suas ideias regionais acrescentando, pra quem quer achar hoje a internet e um meio de acesso valoroso pra ouvir e saber mais do que se faz de música, ta tudo aí irmão é só garimpar!

Conheça mais:

www.myspace.com/fluxo

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comentários
  1. Adex disse:

    Porra mano do caralho a entrevista conehço o Arthur desde a epoca de Soulseek ,sempre curti o trampo que vcs fazem mesmo o Jota ta ligado que sou suspeito pra falar de som.rs
    É isso ae e viva o faça vc mesmo.
    abraço

  2. tiago disse:

    Parabéns pelo blog rapaziada. Cada vez mais afinado. Entrevistas, boas referências, enfim. É isso ae!

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